"Demonstre. As pessoas não vão adivinhar o que você sente."
segunda-feira, 26 de março de 2012
Simplesmente simples
Decorrências de um dia a dia repleto de esquisitices e anormalidades; pessoas insuportáveis, pessoas insubstituíveis; amigos verdadeiros, falsos amigos; professores bons e outros simplesmente estúpidos; abraços reconfortantes; abraços nojentos; olhares ofuscantes; olhares revigorantes; apertos de mãos sinceros; apertos de mão robóticos; musicas de péssima qualidade sonora, sessões relaxantes em notas musicais. Programas tediosos, doses de conhecimento em minutos na rede nacional. Textos alienados, sentimentos transcritos em papel; falas ensaiadas e declarações espontâneas. Livros sobre personagens inexistentes, não por serem fictícios, mas por não trazerem nada a se acrescentar às nossas vidas. E simples personagens com quem nos identificamos e reconhecemos pequenas características que vemos refletidas em nossos atos e atitudes. Coisas simples que nem todos observam, mas que faço questão de reparar e delas retirar minhas conclusões. Pequenas ações insignificantes para indivíduos ignorantes e fundamentais para pessoas que querem aprender algo promissor. Aprender, mesmo que seja com seus próprios erros, ou até mesmo com erros de outras pessoas. Ver o que há de errado no mundo em que vivemos e tentar mudar, fazer diferente, completamente diferente. Olhar em volta e perceber que contribuiu em algo para que esse mundo seja melhor. Um mundo mais seguro de se viver. Mas não falo de segurança material, segurança do corpo, e sim de segurança sentimental, poder ter certeza de que ninguém magoará seus sentimentos, que ninguém magoará seu ingênuo coração. Ter a convicção de que seus puros sentimentos não serão jogados morro a baixo.
Verdades
Textos rabiscados são os que contêm os mais lindos sentimentos relatados. Muitas das vezes nós não acreditamos na nossa capacidade de fazer um texto realmente bom ou que seja pelo menos interessante. Entregamo-nos por completo na escrita e na hora que lemos, achamos que não ficou bom ou que não tem nada a se aproveitar daquele pedaço de papel. Mas, com o passar do tempo, aprendi que o que mais interessa é o que você pensa e como expressa isso. Na hora de reler o texto e refletir sobre ele, nunca deve-se pensar: “O que vão achar disso?”, mas sim entender que o que realmente interessa é o que você passará através dele, independentemente das opiniões alheias. Dessa forma não teremos medo de pegar a caneta e deixar fluir os mais puros sentimentos em forma de palavras e o resultado daquele texto pode ser incrivelmente mágico. E esse pequeno pedaço de magia pode tocar corações e fazer com que outras pessoas reflitam sobre o assunto tratado, podendo elas gostar, porem algum defeito ou simplesmente aprender com ele e ver a vida com outros olhos. Olhos puros que enxergam as coisas boas e não dão tanto valor para o que as fazem se sentir mal. Esse texto também pode fazer com que quem o escreveu aprenda algo valioso e passe a enxergar a vida com esses olhos de quem sabe aproveitar o que é bom e desprezar aquilo que trás o mal. Essa mania de nos importarmos com o que pensam os outros pode limitar a nossa capacidade de expor os nossos sonhos, medos e convicções. A coisa mais pura que existe é o sonho. Porque nele somos diferentes do que os outros querem que sejamos. Neles nós somos aquilo que realmente trazemos dentro do peito. Não temos medo de simplesmente ser. Seja o que esse “ser” significar. E na hora que escrevemos os nossos textos, esse ser vem à tona e se mostra nas entrelinhas daquele papel. Mas na maioria das vezes, não aceitamos o que realmente somos e nos damos o direito de rabiscar essas entrelinhas e escrever em seus lugares coisas que não são reais, que não são verdadeiras. Damo-nos o direito de escrever coisas que nós não somos. O que somos nada depende das opiniões alheias, e sim, de sua própria opinião. Sendo assim, aprender a dar valor em nós mesmos é mais importante do que tentar agradar o outro.
Saber dar valor no que é bom
Há algum tempo atrás eu estava passando por um momento extremamente complicado em minha vida. Para mim, minha vida era a pior de todas. Eu conseguia por defeitos em tudo e em todos, nada estava suficientemente bom para mim. Logo, achava que ninguém se importava para as minhas vontades. Vontades essas que só visavam nada mais nada menos, que eu. Sinceramente, eu era uma das pessoas mais egoístas naquele momento. Não queria saber se as pessoas a minha volta estavam felizes ou não. A única coisa que me importava era o meu próprio mundinho, onde o mais importante era a minha vontade idiota. Mas o tempo foi passando e os meus olhos foram se abrindo. Eu percebi que em certos momentos de nossas vidas, nós temos que entender que o que está em jogo não é apenas a sua felicidade e sim a de várias pessoas. Percebi que eu só seria feliz quando deixasse de me importar com o que estão fazendo de suas vidas ou não, quando eu enxergasse além de certas atitudes que eu julgava precipitadas e idiotas. Eu vi que eu seria feliz quando entendesse que certas coisas as pessoas só fazem em busca da verdadeira felicidade, mesmo que os caminhos que estejam tomando sejam caminhos tortuosos. Passei a enxergar a vida de um modo diferente. Vi que a minha felicidade estava nos pequenos detalhes e não nas grandes discussões que eu estava levantando. Vi que existem coisas tão belas na vida que nem sempre dei valor. Pequenas atitudes que eu ignorava. Atitudes essas que eram repletas de coisas boas e eu não sabia aproveitar. Coisas extremamente encantadoras a minha volta que eu nunca tinha reparado. A cor do céu no fim de uma tarde de verão. Essa foi a primeira coisa que eu observei e que me fez refletir. Um dos presentes de Deus tão lindos em minha vida que eu nunca soube dar valor. Parei e observei longos minutos como era belo e como era cheio de mistérios e segredos. Como eu nunca tive a capacidade de ver aquele belo céu à minha frente? Essa pergunta ecoou em minha mente e me fez ver outras milhares de coisas que eu nunca tinha dado um pingo de valor, como o vento frio, a grama verde, as flores cheias de cores, os campos molhados pelo orvalho, o canto dos pássaros, o simples azul do mar. Coisas surpreendentes, lindas e jamais notadas. E vi também que essa beleza não estava só na natureza. Ela estava no amor em minha volta. Amor que eu recebia e não dava valor. Amor que eu desprezava só por uma birrazinha infantil que não me levou a lugar nenhum. Amor que aprendi a dar valor. Amor tão grande que só uma pessoa era e é capaz de me dar: a minha mãe.
Explosões múltiplas
Abre-se em mim uma lapa que deixa meus sentimentos expostos para que todos vejam e conheçam o que sinto, o que penso. Não pense que me envergonho de tal espelho que transparece as minhas emoções. É bom que todos saibam de uma vez o que realmente sou e aquilo que eu realmente penso de cada subjetividade idiota que ouço ou a cada opinião digna de palmas que seres capazes de usar o dom do raciocínio levantam. Orgulho-me de minha capacidade de, pelo menos, tentar mudar, coisa que muitos não sabem fazer. Se esforçar é o melhor começo para se ter direito de dizer que tentou. A minha lapa mostra isso a essa sociedade dogmática que se deixa estuporar por ébrios sem dignidade. Quero que minha eclosão de sentimentos instantâneos mostre a essa sociedade que ela é capaz de ultrapassar esse muro que a rebaixa a uma mera ecosfera sem vida. Ecúmeno. É o que a terra deve se transformar, em um ecúmeno. Este lugar que chamamos de nosso planeta não tem passado de um mero lugar inabitável. Que minha lapa se estenda a corações capazes de ver a mediocridade com que tratam o nosso bem valioso e sem o qual não passamos de pó. Que se explodam os despersonalizastes naturais. Eles não sabem o que fazem. Destroem o que é de todos, o que é necessário a todos, o que todos devem zelar e cuidar. A humanidade não passa de animais dotados de um privilégio que não sabem utilizar: a inteligência.
sexta-feira, 2 de março de 2012
...
O dia começou lindo. Poucas nuvens no céu, um sol tímido brilhava entre as montanhas. Acordou tão bem como nunca se sentiu antes. Tudo estava indo bem. E mesmo que nada realmente estivesse assim, ela dava um jeito para que ficasse bem, e se não ficasse bem não tinha problema. Afinal, o que mais ela poderia querer? O que ela gostaria mais do que ter tudo indo tão bem com a pessoa que ela mais amava nesse mundo? Os dias foram se estendendo e ela se sentia surpreendentemente feliz. Era como se nada pudesse fazê-la se sentir mal. E os dois iam levando. Nunca estiveram tão bem; nada os aborrecia; nada os atrapalhava. Ela tinha vontade de dizer as coisas e não dizia, simplesmente para não estragar aquilo que estava dando tão certo. Esse foi seu maior erro. No momento em que não aguentava mais segurar, pôs tudo para fora e disse o que tinha que dizer. Eram coisas bobas que se fossem ditas na hora que precisavam ser ditas, seriam resolvidas facilmente sem mais complicações. Mas tudo se acumulou na cabeça dela e ela apelou. Disse o que precisava o que queria e o que não existia. Magoou os sentimentos dele, foi fria e egoísta. Chorou como se estivesse com toda a razão do mundo e na verdade a razão que tinha, perdeu no momento que começou a agir como uma criançinha mimada. Só depois que percebeu que estava sendo uma idiota. Ela falou de prioridade como se ela tivesse mudado alguma coisa por causa dele. Viu que só ficava reclamando enquanto deveria ajudá-lo a se reerguer. Ele tinha virado uma pessoa completamente diferente, uma pessoa completamente melhor por causa dela. Ele tinha saído da zona de conforto e estava tentando mudar para poder seguir um futuro com ela, e ela sequer tinha parado pra se dar conta de que isso era mais do que ela sempre pedira para ele, que ele estava se esforçando, da maneira dele, mas estava. E ela também descobriu que a pior coisa que pode existir no mundo é a consciência pesada. Sentiu-se uma pessoa tão suja por ter magoado o seu amor por tão pouco. Doeu em seu coração ao ouvir as palavras: ’Você está me magoando, poderia parar de fazer isso comigo?’. E toda aquela felicidade foi embora e a única culpada nisso foi ela, o seu egoísmo e a sua ignorância. Ouvir essa frase fez ela se sentir a pessoa mais maldosa do mundo e o que ela mais desejava no momento era poder voltar no tempo e apagar tudo o que tinha dito. Mas daí ela descobriu que não se pode mudar o que se fala, mas sim pensar antes de falar.
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