Abre-se em mim uma lapa que deixa meus sentimentos expostos para que todos vejam e conheçam o que sinto, o que penso. Não pense que me envergonho de tal espelho que transparece as minhas emoções. É bom que todos saibam de uma vez o que realmente sou e aquilo que eu realmente penso de cada subjetividade idiota que ouço ou a cada opinião digna de palmas que seres capazes de usar o dom do raciocínio levantam. Orgulho-me de minha capacidade de, pelo menos, tentar mudar, coisa que muitos não sabem fazer. Se esforçar é o melhor começo para se ter direito de dizer que tentou. A minha lapa mostra isso a essa sociedade dogmática que se deixa estuporar por ébrios sem dignidade. Quero que minha eclosão de sentimentos instantâneos mostre a essa sociedade que ela é capaz de ultrapassar esse muro que a rebaixa a uma mera ecosfera sem vida. Ecúmeno. É o que a terra deve se transformar, em um ecúmeno. Este lugar que chamamos de nosso planeta não tem passado de um mero lugar inabitável. Que minha lapa se estenda a corações capazes de ver a mediocridade com que tratam o nosso bem valioso e sem o qual não passamos de pó. Que se explodam os despersonalizastes naturais. Eles não sabem o que fazem. Destroem o que é de todos, o que é necessário a todos, o que todos devem zelar e cuidar. A humanidade não passa de animais dotados de um privilégio que não sabem utilizar: a inteligência.
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