quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Conto de Natal

A noite havia sido muito longa e ele não sabia mais como acalmá-la. Procurou o olhar de sua pequenina e segurou seu rostinho entre as mãos.
¾ Vamos caminhar querida. ¾ Pegou a frágil mão da garota e a levou para um passeio no parque.
Andaram na estradinha que se formava ao lado do lago enquanto se misturavam com a claridade daquela manhã de sol e com o silêncio das árvores ao seu redor. Vez ou outra ele acariciava os longos cabelos daquela criaturinha que tanto amava.
¾ É manhã de Natal papai, por que isso foi acontecer? ¾ A menina perdeu toda e qualquer ligação com a razão e desabou a chorar, sentando-se na grama ainda molhada pelo orvalho. ¾ Ele ainda tinha toda uma vida pela frente papai. Ele não podia ter ido embora, não podia.
O desespero e a angústia que estavam preenchendo o coração daquele homem transbordaram naquele momento e ele se assentou junto de sua filhinha. Chorou um choro silencioso, seco e desesperado.  Em meio aos seus soluços calados, disse:
¾ Isso não é algo que possamos entender minha querida. Eu o amava muito, ele era meu filho mais velho. Eu não queria que isso tivesse acontecido. Mas essa foi a vontade de Deus. Deus quis assim filhinha, Deus quis assim. Não há nada que possamos fazer.
¾ Mas papai, por quê? ¾ A menina chorava mais alto.
¾ Todos nós temos um tempo, e o tempo dele se acabou. Nós estamos sofrendo com isso porque o amávamos. Mas temos que ficar felizes porque temos um ao outro. E temos a mamãe também. O que me consola é isso, o fato de eu ter você e sua mãe para me amparar nesse momento difícil. Então vamos para casa porque sua mãe está sozinha e deve estar precisando de nós.
A menina se levantou e disse, enquanto secava as lágrimas:
¾ Papai, o senhor é um homem bom.
Então ele deu o seu primeiro sorriso daquela manhã de Natal.
Passaram o resto do dia em casa. A família estava quase completa. Mesmo existindo aquele enorme vazio aprenderam uma grande lição: A família é o que há de mais precioso nessa vida. Independente dos problemas, das dificuldades e das perdas, é ela que sempre vai segurar o céu para que ele não desabe em nossas cabeças.